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terça-feira, 2 de julho de 2013

Linguagem Poética... Teia

A Teia

O céu era negro, a terra era árida,
água não havia, nada germinava...
Em melancolia me quis fechar
e na terra fria me vi a tombar.

Criei uma teia, vivi num casulo,
foi a protecção dos males do mundo.
Passei a expor só os pensamentos,
nem sentia o corpo, este mal se via...

A teia cresceu mas eu nunca parei
ao longo da vida o que fiz mostrei:
pinturas sem conta, sempre transparentes
emoções vividas, ternas, muito quentes.

Criei muitos laços, projectos sem fim,
com mais sonhadores com quem sempre vivi.
Pintura e Gravura são sonhos erguidos
e vezes sem conta neles te encontrei.

Minha antiga teia acabei por rasgar,
se o Mundo se oferece quero aproveitar...
O céu está claro, curiosos, pela mata iremos...
e assim amanhã muitas árvores pintadas teremos!

Marina dos Santos

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Linguagem poética... Doce Olhar

Doce olhar

Encosto-me à cortina e olho a rua
observo o que imagino ser real...
Voltas de novo à casa que foi tua
mas onde nada agora está igual.

Encosto-me mais um pouco
e logo sinto o teu aroma, o teu calor...
Da garganta sai-me um grito rouco
vejo brilho nos teus olhos, meu amor.

Encosto-me agora mais ainda
e apesar de saber que já não vens,
vejo-te lá longe, estás tão linda,
também é meu o doce olhar que tens.

Continuas sempre meiga, querida Mãe!
Passaram tantos anos, por favor, vem, vem...vem.

Marina dos Santos

domingo, 30 de junho de 2013

Linguagem Poética... Envolvidos



Envolvidos

Envolvidos sonhamos caminhadas
Em terrenos sabiamente percorridos
São apenas brumas palmilhadas
A sublimar as dúvidas dos sentidos

Envolvidos ganhamos confiança
Imaginamos novos dias produtivos
Em nós não termina a esperança
E somamos muitos dias criativos.

Envolvidos seremos sempre fortes
No sul encontraremos mares amenos
Com ternura criaremos nortes
Alicerces para dias mais serenos

Marina dos Santos

Linguagem Poética... Suavemente


.
Suavemente...
A pouco e pouco derramo seiva, mel, âmbar.
Dos gestos lentos alastram cores de luz.
Com energia registo movimentos
contrastes de textura e contra-luz.
Suavemente estou a terminar...
Observo e revejo-me no que faço
acalmo assim a enorme inquietação
na dor contida no mais pequeno traço.

Marina dos Santos